A música, como fio condutor das artes, para a maioria das pessoas ainda é mero objeto de entretenimento.
Porém, mergulhando neste universo é possível vislumbrar um território vasto, repleto de valores, desafios e oportunidades no que diz respeito à economia criativa, conhecimento, identidade e transformação social.
Que música faz bem para a alma, educa, inspira, eleva e transforma, todos sabemos.
É consenso, que a arte e a cultura de modo geral tem grande valor, mas isso não basta do ponto de vista do argumento.
O ECAD (Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais) é uma instituição privada criada pela Lei nº 5.988/73 e mantida pela Lei Federal nº 9.610/98.
É administrado por sete associações de música — Abramus, Amar, Assim, Sbacem, Sicam, Socinpro e UBC — que representam artistas, músicos e produtores a elas filiados.
Cabe ao ECAD decidir sobre os preços e as regras de arrecadação e distribuição dos direitos autorais no país.
Portanto, só recebem direitos autorais por execução pública os titulares filiados a uma dessas associações.
Para além da dimensão simbólica, a cultura também se sustenta em dados concretos.
Ainda assim, com o surgimento do streaming, o desconhecimento da própria classe sobre as dimensões e a relevância do que produz, somado à baixa compreensão da legislação, das entidades reguladoras e das empresas do setor (gravadoras, selos e editoras), ampliou essa lacuna.
Mais recentemente, a chegada das DSPs — cujas regras não eram e continuam não sendo claras para muitos — tornou ainda mais urgente a compreensão dessa engrenagem.
O Música de Valor não visa apenas ensinar regras legais ou mecanismos comerciais. O projeto busca construir pontes mentais que conduzam à compreensão do valor de cada ação com a qual nos envolvemos.
Como co-criadores da nossa realidade, somos, por excelência, criadores de obras que carregam crenças, valores e impactos que ultrapassam o campo individual.
Como agentes de difusão desse conhecimento, o projeto entrega essas informações não como um instrumento meramente precificador, mas como apoio a quem precisa ir além do básico.
O objetivo é contribuir para melhor gestão das obras, ampliar o olhar sobre o valor da própria criação e compreender o impacto que ela exerce na vida da comunidade.